Acidentes Didáticos
Volto às histórias fantásticas, para o bem do povo e felicidade geral da nação! E começo logo contando uma das aulas mais assustadoras da minha vida.
Já na reta final do semestre, começando a preparação para as bancas (avaliações práticas, assistidas por uma banca de professores, já que não há "provas" tradicionais), a professora de Expressão Corporal nos comunica que sua avaliação será feita em duplas, escolhidas por ela própria, de acordo com o que pôde observar de cada aluno. Para facilitar a introsação, ela nos informa com antecêdencia dos nossos pares, de modo que nós comecemos a trabalhar juntos já em aula.
Assim, os primeiros exercícios dessa nova etapa têm como objetivo estimular a confiança de cada um na sua dupla. Para começar, ela pede que todas as duplas se posicionem de um dos lados do salão, uma do lado da outra, com uma das pessoas na frente da outra. A que está atrás tem que empurrar a da frente, que por sua vez deve, após o empurrão, ir correndo até o outro lado do salão e voltar, também correndo, de costas, para ser segurada por sua dupla. Assim ocorre sucessivamente, até que a que está correndo confie o suficiente em sua dupla para realmente correr na volta, e não ficar olhando para trás. Depois os dois trocam de lugar.
Até aí tudo bem, em termos... Não que seja fácil deixar de olhar para trás, mas depois que você aprende a distância que vai correr de volta, fica mais fácil. O pior foi o que se seguiu a isso. Cada um da dupla ficou de um lado do salão, virado para seu parceiro. A um sinal da professora, um deveria fechar os olhos e sair correndo em direção ao outro, que teria a função de segurá-lo. Meu Deus, como é desesperador correr de olhos fechados!!! É quase impossível esperar que o outro o pare, dá vontade de parar de correr depois de três passos, dá vontade de abrir os olhos, dá vintade de fingir que está correndo mas ir devagarinho...
Graças a Deus, eu tive essa dificuldade. Exatamente por isso, nada aconteceu comigo. Uma coleguinha, já mais treinada nas artes do teatro, ou simplesmente mais destemida do que eu, realmente correu. Foi com tudo, não abriu os olhos, não parou por nada. Foi com tanta força que seu parceiro não conseguiu pará-la, e acabou, junto com ela, na parede. Ele saiu apenas com a marca da unha do pé dela, que entrou na perna dele com o choque. Já ela saiu com dois dedos quebrados, uma imobilização por mais de um mês, e a impossibilidade de dar o seu melhor nas bancas.
Ainda bem que eu tenho medo!


2 comentários:
Cacilda... Vocês recebem um desconto na mensalidade para cobrir os riscos à saúde?
Você é uma coisa linda que me faz saber que eu sou mais do pareço. E que tenho mais do que mereço.
E sim, eu também tenho medo.
Benzadeus que temos as duas medo.
Te beijo, bonita.
Postar um comentário