Hipocrisia
Minhas noites, passo-as só,
envolta em brumas que me cegam
e me impedem de ver luz.
Ilhada, num mundo só meu,
mas de veredas onde eu mesma me perco.
Ando por vielas escuras
e as trevas me sufocam.
Tento gritar, mas o grito só ecoa por dentro.
Meu corpo é uma barreira
que abafa o som da guerra
do espírito que o habita.
Por fora, permaneço quase impassível.
Meu silêncio esconde urros inexprimíveis.
A quem engano?
Não a mim, que me conheço muito bem.
Mas de ninguém mais posso dizer o mesmo.
Se é verdade que para alguns me revelo,
não é sempre, e nunca é tudo.
O mais importante, o que mais me aflige,
guardo-o sempre para mim,
como uma insana preciosidade,
um tesouro da loucura que me toma.
Crio então meu isolamento,
recolho-me dentro de mim,
onde é sempre uma enevoada madrugada,
a hora mais fria da noite,
mesmo debaixo do calor do sol.
E nem ao menos consigo dormir,
consumida que sou por pensamentos.
A insônia me provoca, me tenta
a fazer o indizível,
ânsia que eu julgava esquecida
e que retorna tanto mais forte.
Até as palavras zombam de mim,
querendo que eu chame a escuridão
de "noite passada em claro",
quando a claridade é justo o que me falta,
pelo que luto como se fosse o ar.
Mesmo assim, meu orgulho irracional
não me deixa admitir que padeço.
Vivo a fantasia do bem-estar,
da apatia enquanto o mundo desmorona,
da fraqueza que se reveste de força.
Até quando?
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Palavras demais.
Alguma delas melhor do que o silêncio?
Se alguém chegou até aqui, que avalie.


5 comentários:
Querida, fico feliz que entre as palavras insuficientes (elas sempre são...) e a exposição pessoal, tenha optado pela última. Não sei se seu texto é mais lindo ou triste. Mas faz mergulhar dentro da sua alma. Queria te abraçar... Te amo!
[tô afim de escrever..rs]
Bom Amanda, não pretendo responder sua pergunta já que não faço a mínima idéia até quando vai. Pra ser bem sincero faço a mesmíssima pergunta quanto à minha realidade, mas posso te garantir uma coisinha.
Até lá, apesar de se sentir ilhada em seu mundo, sufocada pelas trevas, ter seu corpo como fronteira de si mesma e ser minha companheira de noites mal ou não-dormidas, tem alguém com vocÊ, sempre, assim como também está comigo.
Apesar de não o sentirmos como gostaríamos. Fisicamente pra em seu colo podermos chorar e recebermos o consolo imediato necessário, ainda assim ele está aqui. Sempre aqui. Principalmente nas madrugadas.
Quando leio sua, interpreto com mais facilidade a minha angústia. Obrigado por não conseguir guardar.
Só mais uma coisinha. Decidir recolher-se em si mesma e enfrentar desacompanhada a sua dor não é hipocrisia, muito menos covardia. É sinal de coragem, muita coragem. Mas continue se abrindo, sempre precisaremos de ajuda. Sei que nem preciso recomendar, mas a de cima aí é uma excelente ajudante..rs.
Bjo,
Eu só finjo que ajudo enquanto tento aprender o segredo de tanta força e coragem (não falei?) dos dois amigos insones...
nossa, ficou lindo isso aqui!!!! adorei!!!bjs
Informação técnica:
[Amanda, como eu faço pra colocar uma imagem bonita assim no alto da minha página? Como fez? Me ajuda. Não consigo de jeito nenhum. Brigadu!]
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