9 de julho de 2007

Da Arte de Tergiversar

Das qualidades necessárias para quem trabalha na área de Direito, essa sempre foi a que eu achei mais fácil de ter. Não sei se é assim para todos, mas acho que já nasci com um talento nato para enrolar, pricipalmente em provas, o que já me salvou muitas vezes.

No início, provavelmente fazia isso sem perceber. A primeira vez que eu conscientemente decidi enrolar em uma questão foi na 7ª série, em uma prova de Português. Li os textos e não entendi nadinha. Reli algumas vezes, e a situação melhorou muito pouco. Desisti e resolvi ler as questões, pra ver se alguma delas me explicava alguma coisa. A primeira era fazível com o pouco que eu tinha entendido, então respondi. Já na segunda, eu mal entendi a pergunta, quanto mais a resposta que eu deveria dar... Pensei, pensei, e nada.

Pois bem, resolvi colocar toda a minha lábia no papel, porque pelos menos era melhor do que deixar em branco. Escrevi tanto que nem coube nas linhas deixadas, ainda tive que escrever na margem de baixo da folha, com direito a asterisco e tudo. Saí da prova achando que nunca tinha escrito tanta besteira na minha vida.

Uma semana depois, recebi a prova corrigida. Fui correndo olhar a tal questão para ver no que tinha dado. Além de um "certo" um tanto grande bem em cima da minha "dissertação sobre o nada", ainda tinha um comentário da professora: "Muito boa resposta! Adorei a interpretação!". Nesse momento, me convenci de que eu realmente dava pra coisa.

Há pouco mais de uma semana atrás, essa minha aptidão me valeu de novo. Na véspera de uma prova, uma amiga minha me fez uma pergunta que eu não sabia responder. Fiquei com ela na cabeça o dia inteiro, cheguei até a perguntar para outras pessoas, mas ninguém sabia me explicar direito. Como Murphy me ama, adivinha qual foi a primeira pergunta da prova?
É, essa mesma!

Deixei essa pra responder por último, e fui fazendo as que eu sabia. No fim, voltei pra ela e usei novamente a minha tática de tergiversar "pra ver se cola". Fiz toda uma análise sobre o assunto, avaliando prós, contras, apanhado histórico, etc., sem responder diretamente à pergunta.

Semana passada, recebi a nota: 10. Virei pra mim mesma e disse: "Garota, você tem jeito pra coisa!".

Agora só faltam os outros requisitos básicos de uma boa advogada/juíza/seja lá o que for que eu decida fazer com a minha faculdade.

2 comentários:

Catarina Chagas disse...

Uma vez um colega de turma na faculdade me disse que certo professor só me dava 10 por não entender o que eu escrevia.

Mas o truque é não admitir isso nunquinha!

MEET US disse...

Tsc-tsc-tsc... Amanda.. O que eu te disse outro dia? Advogados não devem nunca-nunquinha fazer este tipo de coisa. Que coisa feia.