13 de junho de 2008

Carioca da gema

Já ouvi muitos comentários depreciativos sobre o Rio, mas um dos mais freqüentes é que só se é carioca de verdade depois de ter sido assaltado.

Pois bem, até poucos dias atrás, segundo esse critério, eu não era uma carioca. Agora sou, infelizmente.

Não era tarde da noite; eram apenas 18:30. Eu não estava perto de nenhuma "zona de risco"; estava em plena Zona Sul, longe de morros e similares. E, mesmo assim, aconteceu.

No final, tudo o que me levaram foi um cordão. De ouro, diga-se de passagem. E, pior, de valor emocional incalculável: me foi dado pela minha avó, na minha Primeira Comunhão. Aliás, foi o último presente que ela me deu antes de falecer.

E, simples assim, vêm quatro pivetes e o arrancam do meu pescoço, sem que eu pudesse fazer nada. Sem que eu conseguisse fugir, sem que eu explicasse o valor que aquele simples cordão tinha pra mim...

Depois, ainda tive que me considerar sortuda, por ter chegado gente perto antes que eles levassem qualquer coisa a mais, ou que me fizessem algum mal.

Deprimente.

3 comentários:

Catarina Chagas disse...

Que droga, Amandinha.
E pior ainda saber que a gente vai viver assim por muito tempo ainda...

Isabella Zappa disse...

Oi querida!! tempos que eu não passava por aqui!! mas que coisa triste isso... olha, se te serve de consolo,passei pela mesma situação, mas com a cruz que tinha ganho da minha madrinha de crisma... fiquei muito triste e até hoje não esqueço o rosto daquele homem! Infelizmente a gente acaba se acostumando e não se surpreendendo com isso...
beijos enormes

Anônimo disse...

realmente, deprimente..
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amanda, desculpa chegar aqui do nada, ler todos os seus textos e deixar esse comentário.. mas me identifiquei impressionantemente com alguns textos e isso me assusta porque eu não consigo me expressar muito bem com as palavras, mesmo sendo atriz. queria parabenizar e pedir pra que, se possível você possa me mandar um email para conversarmos... já que não tenho como conseguir o seu. peço que entre em contato, por favor. seria realmente grata. obrigada desde já e parabéns pela sensibilidade, de novo.
Beijos.
Lia Serra (liadumont@hotmail.com)
:*