Ainda bem que minha mãe não assiste as minhas aulas
Várias vezes, durante as aulas, eu me pego rindo das situações em que eu me encontro, e pensando "Se a minha mãe visse isso, eu estaria fora desse curso amanhã!". A impressão dela sobre tudo o que tenha a ver com arte (principalmente as pessoas que a fazem) já não é das melhores. Vendo a filhinha dela em situações que ainda colaborem para piorar essa impressão, ela ia ter um treco!
Um desses fatos aconteceu semana passada. Tive que faltar um dia de aula, por causa de assuntos paroquiais, mas como era o único dia em que eu teria aula teórica na semana, a minha professora pediu que eu repusesse a aula perdida no turno da tarde.
Aí eu descobri uma grande diferença entre os dois: as turmas da noite (a minha inclusive), são compostas por pessoas que, apesar de loucas, tem a cabeça no lugar (se é que isso é possível). A maioria trabalha de dia, se sustenta, tem responsabilidade, ... Já a turma da tarde na qual eu assisti aula é praticamente um pandemônio. Eu cheguei lá e me senti rodeada de coelhinhos da Páscoa: todos tinham olhos vermelhinhos!!! A maioria com cabelos multicoloridos, furos nos mais diversos lugares, e uma dificuldade incrível de formular frases completas. A partir daí, dou graças a Deus a cada dia pela minha turma.
Mas o pior foi a aula que se seguiu: como a turma estava numa onda relax, curtindo uma viagem legal, cada explicação tinha que ser dada umas 3 vezes, com a professora quase se desesperando. Finalmente, conseguimos chegar ao ápice da aula, o momento em que a professora, com muito esforço, conseguiu levar a turma à conclusão de que o ator deve estar sempre em estado de alerta. Numa improvisação, para que saiba responder rapidamente aos estímulos dados pelos outros (já que não se sabe o que eles vão fazer), e numa peça pronta, para que percebam a reação do público, e possam até fazer alterações, se necessário.
"Por isso, não é bom fumar maconha antes de entrar em cena!", concluiu a professora, muito séria. Só a necessidade de tal comentário já me fez arregalar os olhos, mas eu realmente não estava preparada para a discussão que se seguiu ao comentário. Em questão de segundos, os alunos antes quase adormecidos estavam defendendo acaloradamente seus pontos de vista, de que a maconha aguça os sentidos, ajuda nas respostas, etc.
Depois de algum tempo, quando a discussão já estava morrendo, eleva-se uma voz: "Mas ela não disse que não é pra fumar maconha, gente! Ela só disse que não é pra fumar ANTES de entrar em cena!". Murmúrios de alívio percorrem a sala. Porém, sempre há uma voz mais sensata: "Mas gente, se a gente fumar muita maconha, os nossos neurônios vão ficar queimados, aí a gente vai ficar lerdo pra sempre, mesmo que não fume antes de entrar...". Novo alvoroço. O foco da aula deixou de ser encontrar a definição de "Ação Física", e passou a ser partilhar suas descobertas científicas de fontes duvidosas, segundo as quais os neurônios se refazem depois de algum tempo.
A essa altura, eu já não sabia mais se ria, se chorava, ou se me desesperava, percebendo que somente aquela aula não seria suficiente para repor a que eu havia perdido. Um pequeno detalhe: a minha aula normal dura uma hora e meia. Naquela turma, a professora dá duas horas e meia de aula para tentar mantê-la no mesmo nível que as outras. Mas, mesmo assim, eu ainda fui convocada a assistir mais uma aula naquela turma semana que vem, já que a matéria da aula não foi concluída.
Ainda bem que a minha mãe não vai comigo.


5 comentários:
Aeee parabéns Amandinha!!
muito bom o blog!!
ahuahu uma pergunta: sua mãe não tem o endereço dele(blog) né???
Beijão
pra minha segurança e tranquilidade, minha mãe nem sabe o que é um blog! ufa!
UUUUFA!!!
por um momento pensei no risco q seria se ela soubesse dele e o que seria de nós sem ele!!!
hehe
Bom, tem coisas que a gente não precisa partilhar com as mães.
Ateh pq mae as vezes acha que soh pq vc tah num ambiente assim na facul, pode ceder ao meio... Mas que as historias daqui sao divertidissimas sao...
Bjos!!!
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