Considerações ao final de um dia
Pessoas sem rosto andam por aí, sem se reconhecer.
Sem olhos, não enxergam o que está em volta,
Sem ouvidos, não escutam os gritos que vêm de dentro,
Sem boca, são incapazes de proferir uma palavra de amizade.
Sua própria falta de expressão os impede de ver os sentimentos alheios,
Suas mãos não estão acostumadas a segurar as de outro,
Seus passos não se adaptam aos de ninguém,
Seus corpos se contentam com seu próprio calor.
Assim passam pelas ruas, viradas para dentro.
Andam para frente, não mudam de direção,
Não mudam de idéia nem de atitude.
Nem ao menos páram para pensar, seus cérebros estão atrofiados,
Continuam com seus hábitos e conceitos.
Eu, com meus sorrisos e lágrimas, gargalhadas e prantos,
Vejo céus, montanhas, nuvens, pessoas, pássaros,
Ouço música, carros, ouço meu coração que bate,
Tudo ao mesmo tempo.
Sinto vida em tudo, sinto esperanças, desejos,
Vontade de fazer a vida valer a pena.
E grito, berro aos ventos.
Quem sabe, em algum lugar, existe alguém como eu,
Alguém capaz de ouvir meu grito e reconhecê-lo como o seu próprio


Nenhum comentário:
Postar um comentário