Rapidinha
"O pedido da autora é juridicamente bizarro."
Porque a vida, às vezes, se assemelha demais a um espetáculo. E, sendo assim, eu não quero ser a platéia, mas a atriz principal. O diretor, obviamente, está lá em cima.
" A curadora e ora mãe do suplicante..." - Curadora, ela é sempre. Mãe, só de vez em quando.
Agora uma da minha turma, que deveria saber interpretação de texto, mas pulou essa matéria na escola, como bem prova o diálogo abaixo, retirado dos e-mails trocados no grupo de discussão:
- Alguém me ajuda a preparar kafta, que além de barata, leva carne e é bem pesada?
- Que eu saiba, kafta não leva batata.
- Ele falou "barata", não "batata".
(Reparem que a resposta não foi com relação à interpretação da frase, mas à ortografia. Ou seja, para essa pessoa, existe a possibilidade de alguma comida levar barata! Acho que prefiro a batata mesmo...)
"a possibilidade de poder solicitar"
"os pedidos, além de incompatíveis, é impossível"
"epilepcia", várias vezes, mesmo depois que médicos escreveram com s.
"Que prejuízo vem sofrendo, ou sofrerá,a autora, se não propusesse tal demanda? Ou o faz por vindicta? (!!!)" - além dos tempos verbais perfeitos, ainda tem os pontos de exclamação, só pra dar um charme.
"Tal argumento, se existisse, seria hilário, não fosse o drama vivido pelo réu, ao ser citado em sua humilde casa pelo Sr. Oficial de Justiça. Quase morreu de susto!!!" - claramente, do mesmo apaixonado por exclamações acima.
"A lide visa, somente, causar aflição, dor e desespero ao réu, que após anos de dedicação, trabalho, suor e sangue em prol da autora, aposentou-se em decorrência de doença proficcional adquirida no interior da Usina." - do mesmo escritor de drama acima.
"hoje com quase 80 anos de idade, já alquebrado, doente, causticado pelo sol dos quatro ventos da vida(...)" - não sabia nem que a vida só tinha quatro ventos, e muito menos que esses ventos tinham um sol...
Em processos verídicos.
" O homem, evidentemente, desiludido da vida, talvez vítima do desespero que assola o país, pensou que MORTO poderia melhor ajudar sua família, mulher e filhos, o que até aqui não ocorreu.” - não, ele não se suicidou. Foi atingido por uma bala perdida.
"que efetue mensalmente o pagamento mensal"
"os filhos nascidos da constância do óbito" - não, não é do casamento, é do óbito mesmo. Só não sei como.
Só pra descontrair o ambiente e dar sinal de vida, um fato verídico da minha semana. Não estava presente nessa hora, mas ouvi de fonte confiável, e conheço o protagonista pra saber que não é nada de se surpreender com algo desse tipo...
Os nomes são fictícios, para proteger a identidade de ambos.
Juvenal - Sabe aquele cemitério que tem aqui no Rio? São João Batista? Ou é no Caju? Não sei mais... acho que é to Caju mesmo, sabe?
Firmina - Sei, o que que tem?´
Juvenal - Lá tem aqueles negócios... como é o nome mesmo? Aquilo que tem em cemitério!
Firmina - Túmulo? Lápide? Mausoléu?
Juvenal - Isso, mausoléu! Tem vários lá, mas tem um enorme, o maior de todos, que é o do Tiradentes!
Firmina - Tiradentes? Mas ele não era de Minas? Por que ele seria enterrado no Rio?
Juvenal - Ah, sei lá... podem ter trazido ele pra cá, né?
Firmina - Aliás, ele não foi esquartejado, e os pedacinhos espalhados?
Juvenal - Ih, é verdade... Acho que eu tô confundindo. Não, espera! Não era o Tiradentes, não, era o Ruy Barbosa!
Lógico, os dois são iguaisinhos, né? Nomes parecidos, mesma profissão, mesma localidade, contemporâneos... Como diria meu professor de Metodologia, eles até tomavam chá juntinhos!
Essa semana foi um tanto complicada na UERJ.
Primeiro, chegamos lá de manhã e tem um burburinho danado, que ninguém explica direito. Após perguntarmos para um professor, ele explica que, mais uma vez, alguém achou a varanda do 12º andar um lugar muito atraente para terminar sua existência terrena.
Sem entrar muito nos méritos da questão, como tentada que já fui (e nem no tão passado assim) a fazer o mesmo, confesso que foi um soco no estômago. Segundo os que já estão lá há mais tempo, é uma coisa normal. Uns, até, falam sem o mínimo sinal de apreensão ou choque, do mesmo jeito que se fala "dormi cedo ontem".
Mas foi o primeiro, desde que eu cheguei lá. E eu ainda tenho minha eterna mania de me importar, de sentir. Pra mim, não passou em branco. Não passou despercebido o fato de que eu poderia ter estado lá; poderia, entendendo o que leva uma pessoa a tentar algo desse tipo, e o que a faz desistir, ter feito alguma coisa.
Depois, ainda fico sabendo que tinham vários "curiosos" no local, que chegaram até mesmo a organizar uma fila para ver o "resultado" lá de cima. Isso, eu não vou nem comentar.
Por último, um incêndio. Graças a Deus, ninguém se machucou, e foi só um susto para os meus colegas (muitos, até, da minha sala) que estavam lá pra um encontro de estudantes de Direito. A princípio, até fiquei feliz porque não tive aula hoje, o que não é lá tão ruim pra uma segunda-feira. Mas, vendo a dimensão do fogo, juro que fiquei um tanto assustada quanto ao futuro da faculdade. E não só pela possibilidade de ter aulas em janeiro novamente, mas, a longo termo, pela educação mesmo.
Com certeza, é um tanto cliché falar da falta de verba repassada pelo estado, das prioridades do nosso gvernador, da decadência da educação pública. Mas não deixa de ser necessário. E nem venham com essa história de que os alunos de Direito não se importam, porque não pegou fogo no nosso andar.
Então, no final dessa semana, fico pensando: alguém tinha que mandar um padre benzer aquela faculdade. Sério mesmo.
Ensaiado por Amanda às 11:51 AM 0 atores ensaiaram também
Marcadores: dia-a-dia, direito, divagações, uerj
Bom, tenho me sentido falando sozinha aqui no blog ultimamente, já que ele anda um tanto abandonado...
Mesmo assim, vou tirar a curiosidade de alguém que eventualmente entre aqui e veja o último post:
PASSEI!!!!!!!!!
Sim, sim! Só fui receber o e-mail às 8 da noite, mas valeu a espera: tirei 9 na prova surreal! =)
Ensaiado por Amanda às 11:39 AM 1 atores ensaiaram também
Hoje, sim, começam minhas férias propriamente ditas!
Depois de uma professora ter deixado 70% da turma em prova final, porque escreve de um jeito tão estranho que a maioria de nós mal consegue entender o que ela está falando nas questões da prova, fiquei feliz de não ter realmente parado de estudar.
Mas hoje, fui lá, fiz a tal prova (não sei se fui melhor do que nas anteriores, já que a escrita dela não mudou muita coisa em 3 semanas), e... acabou! Passando ou não, tenho férias.
Só tem um detalhe: como ela tem que entregar todas as notas na secretaria até amanhã de manhã (e são mais de 50 provas), ela falou que ia começar a corrigir assim que o tempo de prova terminasse.
Aí, ela pediu pra que nós colocássemos nossos e-mails no cabeçalho, porque, à medida que fosse corrigindo as provas, ela ia mandando nossas notas, de 5 em 5.
Alguém ainda tem dúvidas de que eu não vou desgrudar do computador hoje?
Ensaiado por Amanda às 2:42 PM 0 atores ensaiaram também
Das qualidades necessárias para quem trabalha na área de Direito, essa sempre foi a que eu achei mais fácil de ter. Não sei se é assim para todos, mas acho que já nasci com um talento nato para enrolar, pricipalmente em provas, o que já me salvou muitas vezes.
No início, provavelmente fazia isso sem perceber. A primeira vez que eu conscientemente decidi enrolar em uma questão foi na 7ª série, em uma prova de Português. Li os textos e não entendi nadinha. Reli algumas vezes, e a situação melhorou muito pouco. Desisti e resolvi ler as questões, pra ver se alguma delas me explicava alguma coisa. A primeira era fazível com o pouco que eu tinha entendido, então respondi. Já na segunda, eu mal entendi a pergunta, quanto mais a resposta que eu deveria dar... Pensei, pensei, e nada.
Pois bem, resolvi colocar toda a minha lábia no papel, porque pelos menos era melhor do que deixar em branco. Escrevi tanto que nem coube nas linhas deixadas, ainda tive que escrever na margem de baixo da folha, com direito a asterisco e tudo. Saí da prova achando que nunca tinha escrito tanta besteira na minha vida.
Uma semana depois, recebi a prova corrigida. Fui correndo olhar a tal questão para ver no que tinha dado. Além de um "certo" um tanto grande bem em cima da minha "dissertação sobre o nada", ainda tinha um comentário da professora: "Muito boa resposta! Adorei a interpretação!". Nesse momento, me convenci de que eu realmente dava pra coisa.
Há pouco mais de uma semana atrás, essa minha aptidão me valeu de novo. Na véspera de uma prova, uma amiga minha me fez uma pergunta que eu não sabia responder. Fiquei com ela na cabeça o dia inteiro, cheguei até a perguntar para outras pessoas, mas ninguém sabia me explicar direito. Como Murphy me ama, adivinha qual foi a primeira pergunta da prova?
É, essa mesma!
Deixei essa pra responder por último, e fui fazendo as que eu sabia. No fim, voltei pra ela e usei novamente a minha tática de tergiversar "pra ver se cola". Fiz toda uma análise sobre o assunto, avaliando prós, contras, apanhado histórico, etc., sem responder diretamente à pergunta.
Semana passada, recebi a nota: 10. Virei pra mim mesma e disse: "Garota, você tem jeito pra coisa!".
Agora só faltam os outros requisitos básicos de uma boa advogada/juíza/seja lá o que for que eu decida fazer com a minha faculdade.
Ensaiado por Amanda às 2:10 PM 2 atores ensaiaram também
Marcadores: auto-avaliação, direito
Caso julgado em Cruz das Armas:
Transexual, ainda sem ter feito a operação de mudança de sexo, pede que seu nome seja alterado para o utilizado na vida social, e o sexo seja modificado de "masculino" para "feminino".
Os desembargadores fazem uma análise do caso. A presidente da mesa dá um parecer de 7 páginas, com direito a decisões anteriores de mesmo tema, citações, etc., e diz que concorda com o pedido.
O segundo desembargador dá outro parecer, este de umas 4 páginas, dizendo que concorda com a udança de nome no registro civil e certidão de nascimento, mas que, no campo "sexo", deve constar "transexual", pelo menos até que seja efetuada a operação.
O terceiro desembargador dá o seguinte parecer:
"Parcialmente de acordo.
Concordo com a mudança de nome, mas não de sexo. Ele não é mulher!"
E ponto. Conciso, não?
Ensaiado por Amanda às 2:02 AM 0 atores ensaiaram também
1. Sair de uma prova achando que me ferrei, graças a uma professora nada correta, mas, mesmo assim, orgulhosa de mim mesma por ter conseguido apresentar uma solução, modéstia à parte, muitíssimo bem fundamentada para um caso bastante difícil.
2. Receber uma nota mais alta do que eu esperava, e saber que, em pelo menos uma matéria, já passei.
3. Permitir a mim mesma ter um dia de descanso. Afinal, a próxima prova é só semana que vem!
Ensaiado por Amanda às 8:52 PM 2 atores ensaiaram também